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Uma ficção literária contemporânea sobre amizade, escola, alegria, regras, pertencimento e o momento em que um jogo deixa de ser apenas um jogo.
PAR é o Livro 15 de OS RETRATOS DE ÀṢẸ, uma série de ficção literária urbana em que objetos, espaços, marcas e gestos cotidianos revelam as pressões silenciosas que moldam uma vida.
Neste volume, duas adolescentes inventam um jogo no pátio da escola.
Começa com giz no asfalto. Uma linha branca. Um X quase apagado. Duas amigas observando como tudo ao redor parece organizado em pares: estudantes, professores, carteiras, grupos, horários, olhares, exclusões. A princípio, PAR é apenas uma brincadeira. Uma forma de transformar o intervalo em tabuleiro. Uma tentativa de fazer o dia parecer menos imposto.
Mas a escola percebe.
O que nasceu como alegria vira "atividade não estruturada". O que parecia coragem vira "interação entre pares". O que era jogo vira relatório, acompanhamento, reunião, diretriz, programa. As meninas escrevem regras para proteger o que criaram: nenhuma tarefa que faça alguém parecer menor; pontos por alegria, não por humilhação; as pessoas podem dizer não; não há vencedores. Se funcionar, mais pessoas sentem que existem.
Aos poucos, porém, o jogo começa a mudar. A escola tenta absorvê-lo. Os colegas tentam copiá-lo. As regras ganham versões oficiais e versões secretas. A alegria, que parecia leve, começa a exigir defesa. E aquilo que deveria libertar pode também começar a ordenar, dividir, pontuar, exigir sacrifícios.
PAR acompanha essa transformação com uma linguagem ágil, íntima e profundamente precisa. A tensão do romance não nasce de grandes acontecimentos, mas de pequenos gestos escolares: um relatório dobrado dentro do caderno, uma pasta vermelha, uma convocação da orientadora, uma regra escrita em guardanapo, uma dupla formada no ônibus, um aluno que se move de lugar, uma frase que muda quando passa pela linguagem dos adultos.
A pergunta central do livro é delicada e feroz: o que sacrificamos quando abandonamos a alegria para sermos considerados funcionais?
Sem sentimentalismo adolescente e sem transformar a escola em caricatura, PAR constrói um retrato psicológico de amizade, invenção e controle institucional. O pátio, a sala de aula, o ônibus, o portal escolar, a cantina, a escadaria e os documentos da direção não são apenas cenário. São dispositivos de formação. A escola ensina regras. As meninas respondem com outras regras. E, entre uma coisa e outra, nasce algo que parece jogo, manifesto, feitiço e perigo.
Por baixo da superfície, o romance dialoga discretamente com Òṣé e com a presença dos Ìbejì - duplicidade, infância, jogo, espelho, alegria, paridade e sacrifício. Ainda assim, não é necessário conhecer Ifá, Orixás ou tradições yorùbá para ler o livro. A camada espiritual permanece como pressão narrativa: no par que se forma, no espelho entre duas amigas, no jogo que se multiplica, na pergunta sobre o que acontece quando a alegria precisa se tornar regra para sobreviver.
Para leitores de ficção literária contemporânea, romances psicológicos, narrativas urbanas, histórias sobre escola, adolescência, amizade, regras, pertencimento, controle institucional, criatividade, alegria, rebeldia discreta e a formação de pequenas comunidades dentro de sistemas que tentam administrá-las.
PAR é um romance sobre brincar.
E sobre o instante em que uma brincadeira começa a exigir fé.
Ahoj! Som Libroamiko, tvoj knižný radca.
Ako ti môžem pomôcť?