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Por Que Escrevi Sobre o Incomparável Jesus
Nos últimos vinte anos, dois livros caíram em minhas mãos e nunca mais me deixaram.
O primeiro, "O Incomparável Cristo" de John Stott, chegou-me quando eu, aos 48 anos, ensaiava uma vida ministerial.
O segundo, "O Incomparável Cristo" de Oswald Sanders, encontrei em uma livraria de usados quando, aos 50 anos, enfrentava minha primeira grande crise de fé.
Estas obras não foram apenas leituras. Foram encontros.
Stott, com sua mente brilhante e coração pastoral, me mostrou Jesus em toda sua grandeza bíblica e histórica.
Sanders, com sua profundidade espiritual e paixão missionária, me levou aos pés da cruz até que eu sentisse seu peso e glória.
Mas algo curioso acontecia enquanto eu os lia: sentia uma saudade. Não do que eles escreviam - isso era magnífico.
Sentia saudade do Jesus que eles apontavam, mas que às vezes ficava meio escondido atrás de tanta erudição (em Stott) ou intensidade espiritual (em Sanders).
Eu, um servo simples, em início de ministério, lidando com pessoas reais - motoristas, aposentados, donas de casa sobrecarregadas, jovens confusos - precisava de algo que mantivesse a profundidade destes mestres, mas com a simplicidade da mesa de cozinha.
Um dia, depois de tentar explicar a kenosis (o esvaziamento de Cristo em Filipenses 2) a um grupo de senhoras que mal tinham o ensino fundamental, uma delas, Dona Maria, de 72 anos, disse: "Pastor, o senhor está falando grego. Só quero saber: Jesus me entende quando choro à noite?"
Aquela pergunta honesta foi meu momento de obediência.
Uma obediência dupla:
Primeiro, à verdade que Stott e Sanders defenderam: Jesus é verdadeiramente incomparável - em sua pessoa, obra e significado.
Segundo, ao povo real que Deus colocou em meu caminho: pessoas que precisam deste Jesus incomparável, mas descomplicado.
As sementes plantadas por Stott e Sanders
John Stott me ensinou que Jesus deve ser estudado com integridade intelectual.
Em "O Incomparável Cristo", ele percorre as Escrituras, a história, a teologia, mostrando como Cristo é único em cada dimensão. Mas ao final de minha primeira leitura, pensei: "Meus fiéis irmãos, vendedores de frutas, pescadores e agricultores nunca conseguirão acompanhar este voo teológico."
Oswald Sanders me ensinou que Jesus deve ser experimentado com intensidade espiritual.
Em "O Incomparável Cristo", ele me fez chorar, orar, me quebrar. Mas ao fechar o livro, pensei: "Minhas donas de casa, entre panelas e filhos, sentirão que esta espiritualidade está distante demais de sua realidade."
Foi então que entendi minha vocação: não superar Stott ou Sanders (impossível!), mas descer a montanha onde eles estavam e trazer o tesouro até o vale onde eu e o povo de Deus vivia.
Como os discípulos no monte da transfiguração: Pedro queria construir tendas e ficar lá (como nós, teólogos, queremos ficar nas alturas da erudição). Mas Jesus os levou de volta ao vale, ao menino endemoninhado, à multidão necessitada (Mateus 17:14-21).
Minha jornada de obediência
Esta obediência tomou forma gradual:
Aos 50 anos, tentei escrever um "Stott simplificado". Fracassei. Apenas reduzi, não transformei.
Aos 55 anos, tentei um "Sanders aplicado". Também fracassei. Apenas coloquei ilustrações modernas, mas mantive a distância espiritual.
Aos 65 anos, desisti de tentar imitá-los. E fiz o que deveria ter feito desde o início: sentei-me aos pés de Jesus com minhas próprias perguntas e as perguntas do povo em meu convívio.
E descobri algo revolucionário: o Jesus que Stott estudou com tanta erudição e que Sanders adorou com tanta paixão é o mesmo Jesus que fala a linguagem simples do cotidiano.
Ele não precisa ser "trad
Ahoj! Som Libroamiko, tvoj knižný radca.
Ako ti môžem pomôcť?