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No Brasil do século XIX, onde o ar era denso de ferro, sangue e café, dois destinos se cruzaram como faíscas em meio à escuridão.
Carlos Gamma, advogado abolicionista e herdeiro de uma linhagem poderosa, acreditava conhecer o significado da palavra justiça , até ver a injustiça personificada nos olhos de uma mulher acorrentada.
Zuri nasceu na Fazenda Mordaça, entre o eco dos gritos e o perfume das flores que teimavam em nascer no barro. Filha de uma escrava violentada, aprendeu a ler escondida, como quem aprende a respirar embaixo d'água. Quando o velho senhor morreu e Moraes assumiu o comando, o ferro se fez lei, e o desejo do capataz se tornou sentença. Zuri desafiou ambos e foi condenada por existir livre demais.
Naquela madrugada, enquanto a lua sangrava sobre os canaviais, Carlos a encontrou amarrada ao tronco. O homem que libertava com palavras libertou, com as mãos e, sem perceber, rasgou também as próprias correntes.
A partir dali, cada toque seria fuga, cada olhar, revolta. Entre julgamentos e perseguições, entre discursos inflamados e noites em que o amor era o único abrigo, Carlos e Zuri descobriram que a liberdade é um campo minado e amar, a mais política das rebeldias.
Inspirado em figuras reais da época, A Flor de Ferro é um romance sobre coragem, liberdade, fé e desejo em meio à barbárie da escravidão.
Zuri é a voz que o chicote não calou.
Carlos é o homem que ousou amar em voz alta.
E quando o império tentou silenciar os dois, o amor falou por eles.